terça-feira, 10 de março de 2009

Oh Capitan my Capitan.



Acaba o jogo de futebol, transpirados e cansados vamos para o quarto. Estamos os dois juntos no quarto, sozinhos. Tiramos a roupa enquanto os meus olhos vão percorrendo aquele corpo forte e peludo, quente. Ele fica nú. É a primeira vez que o vejo completamente nú. Que corpo, que vontade. Ele sai para a casa de banho. Só há dois chuveiros. Saio logo de seguida, esperando que não esteja ninguem a ocupar o outro. Ele já esta a tomar banho, ouço a agua a cair-lhe no corpo. Abro a água fria primeiro e fico debaixo do chuveiro esperando que a prova do "crime" se desvaneça. Mas tanta coisa me passa pela cabeça naquele momento, que é inevitavel aquele sentimento de "culpa". Espero que ele feche a água, faço o mesmo e saio para me secar fora do chuveiro. Fico de costas para não se notar, mas quero tanto admirar aquele corpo... Se deu conta não disse nada. Estou em frente à porta da casa de banho a secar-me, ele vai sair, cabeça baixa sem me conseguir olhar directamente nos olhos, sorriso no canto dos labios, fica como que parado, ou sou eu? Aquela sensação de camera lenta... Sai e vai para o quarto. Quase de imediato saio e sigo-o. Estamos de novo juntos, sozinhos. Sim e não, quente e frio, certo e errado, hey, pensei que ja tinha passado esta fase. Fiquei completamente fora de mim, o meu corpo estava ali, mas eu estava nele. Não sei quanto tempo foi, mas fiquei ali a olhar para ele. Foram 2 segundos que ele me viu assim. Nunca me senti tão estupido. Desviei o olhar e disse:
-Oh...desculpa. Que é que eu fui dizer? Mais valia ter ficado calado. Ele responde-me:
-Não faz mal, eu as vezes tambem fico assim.
Ficas assim como? Parvo a olhar para outro homem nú? (penso eu). Mas é claro que se estava a referir a ficar assim parado com aquele olhar distante. Mas o meu não estava assim tão distante, estava mesmo ali no quarto.
- Mas eu foi diferente.
- Diferente como?
- Bah, esquece.
Devo de ter ficado de todas as cores. Saí para o lado, fiquei atrás da porta do armario, literamente. O silêncio tomou conta do quarto, silêncio pesado e de culpa. Mas continuo a olha-lo enquanto termina de se secar, agora de costas para mim. Que corpo (já tinha referido esta parte?).
Só me apetecia tocar-lhe, beijar aquele traseiro lindo,lamber-lo todo e...
- Não gosto de me vestir muito rapido, fico a transpirar de novo, o corpo ainda está quente.
Não gostas ou estás a gostar que te olhe assim? (penso eu). Ahhhhhh incerteza estúpida. Acabou por sair e eu fiquei sozinho, a pensar como podia ter sido e como foi.
Cruzamo-nos no refeitório e sorriu.

2 comentários:

pinguim disse...

Gostei do conto.
Abraço.

Manuel Braga Serrano disse...

elah o que para aí vai... encabulanço até dizer chega...
sim senhor, gostei do estilo despojado da escrita